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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Filmes da minha vida - parte 2

Heey, gente.
Estou meio baratinada de ver que maio já está quase no fim. É bizarro, parece que o ano estava começando ontem, no entanto já fiz aniversário e estamos quase no meio do ano. Enfim... todo ano é isso, aueuahuehauea. Pelo menos meu ano está valendo muito a pena. Como está o de vocês? :)

A pouco tempo atrás, fiz um post listando os 3 filmes mais "fortes" da minha vida - ou seja, aqueles que me deixaram com mil nós na garganta, litros de lágrimas nos olhos e muito o que refletir. Porém, percebi que aqueles não foram os únicos, e não seria justo listar só eles. E assim nasceu essa "parte 2". Apreciem - e assistam.

3)O segredo dos seus olhos

(2009, Argentina, dirigido por Juan José Campanella).

Sinopse: O ex-servidor da Justiça Benjamin Esposíto (Ricardo Darín) aproveita seu tempo livre para escrever um livro. Se inspira em um brutal e real caso de estupro seguido de morte, investigado por ele 25 anos atrás. Através das lembranças a que Benjamim recorre para escrever seu livro, conhecemos a saga dele para desvendar o culpado, e o terrível desfecho de tudo.

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010, esse filme é excelente. Cheio de cenas fortes e situações comoventes, é do tipo de filme que te faz pensar, e ao mesmo tempo dá uma sensação de impotência. Muita gente vai se identificar com a indignação e sensação de impotência de Benjamin e Irene (Soledad Villamil), na cena em que os dois pegam o elevador junto com o culpado do crime. O gosto de impunidade é de arrepiar. Mas a melhor cena - e que causa muita discussão - é a do desfecho. Apenas assistam.

2)O curioso caso de Benjamin Button

(2008, EUA, dirigido por David Fincher).

Sinopse: Em 1918, Benjamin Button (Brad Pitt) nasce com uma rara condição - sua aparência é completamente envelhecida, o que faz com que seu pai pai (Jason Flemyng) o abandone. Benjamin é criado por Queenie (Taraji P.Henson) em um lar para idosos, e vive uma vida intensa e incrível, ficando mais jovem ao longo dos anos, enquanto todos ao seu redor envelhecem.

A história é narrada por Daisy (Cate Blanchett, maravilhosa), o grande amor da vida de Benjamin - ou melhor, pela filha dela, que lê o diário do protagonista para a mãe, no leito de morte. Há uma palavra para descrever esse filme - fascinante! Como pode se sentir, alguém na situação de Benjamin? Isso é registrado em seu diário, onde ele conta todas as escolhas impulsivas que fez, e que fizeram sua vida valer a pena. Benjamin vê amigos morrerem, conhece o amor incondicional com sua mãe de criação, e a paixão verdadeira e arrebatadora com Daisy, que no final, me fez chorar litros com a sua atitude comovente e inesperada, já que até então ela parecia fútil. É a melhor definição de amor que já vi em um filme, nessa história que é linda e genial em tudo. 

1)Ensaio sobre a cegueira

(2008, Brasil/Canadá/Japão, dirigido por Fernando Meirelles).

Sinopse: Em um dia comum de uma cidade grande, o trânsito é subitamente interrompido quando um homem, sem motivo aparente, fica cego e grita por ajuda. Uma por uma, cada uma das pessoas que vão tendo contato com ele e entre si é contagiado pela mesma cegueira branca. Quando a coisa fica muito séria, o governo isola os cegos em um antigo sanatório, e então a esposa do oftalmologista (interpretada por Julianne Moore), a única que não foi atingida pela misteriosa doença, mantém sua condição em segredo e se infiltra no lugar, onde os ajuda enquanto o verdadeiro horror se espalha.

Mal acreditei quando me dei conta de que este filme não estava na primeira lista. Eu simplesmente não me canso dele! A obra do brasileiro (orgulho <3) Fernando Meirelles, baseada no livro de José Saramago, tem absolutamente tudo na medida, ainda que de maneira sutil: drama, horror, romance, até aventura. E é chocante ter essa noção de como as pessoas se comportariam, em uma situação apocalíptica. Abuso de poder, racismo, misoginia, estupro... está tudo ali. Ainda assim, há momentos lindos e comoventes (como quando todos os cegos se reunem em torno de um radio de pilha, felizes), em momentos de "revanche" em que vibramos. Esse virou um dos filmes favoritos da minha vida, se não for o favorito.


E então, quem já assistiu esses filmes? O que acharam?

Xoxo. :*

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Filme: Naruto - The Last


Ler o último capítulo do mangá Naruto Shippuden não foi fácil. Quem era/é fã sabe bem: o frio na barriga nas semanas que o antecederam, a expectativa que se acumulou durante anos a fio, a sensação de que tudo passou rápido demais, e o vazio que ficou, quando o ponto final foi colocado. O último capítulo emocionou ao mostrar o que aconteceu anos após o fim da guerra, com direito a muitos casais (e os tradicionalíssimos NaruHina e SasuSaku,como era esperado), mas desagradou alguns por ter ficado muito corrido e por não ter dado um espaço para mostrar os romances começando, principalmente o do protagonista e sua persistente esposa, que mostrou que há esperança para os friendzoneiros, kkkkkkkk (eu não poderia deixar isso passar :v). O filme Naruto-The Last, que já naquela época gerava ansiedade, prometia justamente isso: mostrar o meio do caminho do casal principal, o período entre a guerra e final definido, com Naruto, Hinata, dois filhos e um cachorro.

Eu mal suportei a espera pelo filme, e por incrível que pareça, ele me surpreendeu para melhor. Naruto - The Last é um enorme presente para os fãs de NaruHina. O longa é todo deles e para eles.


A história do pano de fundo não é muito diferente do que rola sempre: um maluco com ideias terroristas, causadas por uma visão distorcida de fatos. O vilão Toneri deseja o Byakugan e também deseja Hinata, a princesa herdeira desse poder. Em uma noite em que Hinata pensa em dar um cachecol à Naruto e se declarar a ele pela enésima vez mas acaba desistindo, Toneri tenta sequestrar a moça, mas é impedido justamente por Naruto. Toneri, então, sequestra  Hanabi, a irmã caçula de sua paixão, e leva a menina para seu castelo, onde tira os olhos dela e implanta nele mesmo. Assim, orientados por Kakashi (gatíssimo como Hokage), Naruto, Hinata, Sakura, Sai e Shikamaru partem em busca da garota, cujo sequestro parece ter a ver com a aparente destruição da Lua que se aproxima, de acordo com os cinco kages. Durante a missão, Naruto e Hinata se aproximam cada vez mais, e durante um genjutsu deixado como armadilha, Naruto se lembra de seus momentos com Hinata desde a infância, e ao ser acordado por Sakura (a única do grupo que é forte o suficiente para salvar os colegas), finalmente se dá conta do amor que sente pela Hyuuga. Hinata, no entanto, está em uma enrascada. Tendo Hanabi como prisioneira, Toneri chantageia Hinata e a obriga a aceitar seu pedido de casamento. Assim, a jovem é obrigada ir embora com outro homem, no mesmo momento em que Naruto finalmente se declara a ela. <o>

A atrevida Hanabi é bem mais legal do que eu  imaginava.xD

A história está mais novelesca do que jamais esteve em Naruto, chegando a parecer um shoujo. Beira ao água com açúcar e provavelmente não vai agradar a todos, e é por isso que digo: o propósito do filme é mostrar NaruHina, pura e simplesmente. Hinata está mais bonita, fodástica e disputada do que nunca, uma autêntica mocinha/heroína. Naruto está com trejeitos muito mais adultos e masculinos, mas não perde sua essência alegre, ingênua e até "tapada" em alguns momentos, o que é fundamental para mantê-lo sendo ele mesmo, a despeito das mudanças físicas. As meninas estão lindas como adultas (apesar de a Ino estar meio "perua" para uma ninja), e as vozes mais grossas de todos eles causam um certo estranhamento, mas nada que comprometa. 



Sendo esse um filme de Hinata, Sakura perde o posto de protagonista e se torna coadjuvante, mas ainda assim tem um papel digno. Já no começo, é mostrado que ela e Hinata se tornaram grandes amigas, e que a rosada é a grande incentivadora do relacionamento entre Hinata e Naruto, encorajando a garota tímida a continuar lutando, e dando xixis em Naruto, quando esse se mostra um idiota. Em uma cena, logo após Naruto levar um fora de Hinata (quem diria...), é ela quem abre os olhos do rapaz e o faz entender que a Hyuuga deve ter tido uma razão para isso, afinal, "quando uma garota se apaixona, esses sentimentos não mudam tão facilmente". Nesse momento ela se lembra de Sasuke, mostrando que seu amor pelo Uchiha bobalhão continua mais forte do que nunca. Aliás, a pobre Sakura merece um filme só dela, mas com Sasuke se ferrando bonito. Se os rumores que estão rolando por aí se confirmarem, Sasuke já pode ser considerado o maior babacão da história dos mangás e animes. Mas me recuso a acreditar que tio Kishimoto vai fazer essa trolagem com a guria, depois de tantos anos a tendo como heroína principal. Os fãs dela estão indignados, e com razão.

Por outro lado, é maravilhoso ver Hinata brilhando de todas as formas possíveis e conquistando o amor de sua vida, para sempre. A participação dela não poderia ter sido melhor. 




Os momentos de Hinata e Naruto contracenando são emocionantes, todos deles. É como se Kishimoto tivesse de propósito esperado 15 anos para fazer cenas realmente românticas do casal, e então soltado tudo de uma vez e dado tudo o que fãs de NaruHina queriam, para levar todos à loucura. Está tudo lindo, lindo, lindo, e até eu, que vou ser eternamente dividida entre NaruHina e NejiHina, fiquei feliz por ter dado esse casal, e por ter assistido esse filme. Não vou repetir todo o melodrama que contei no meu post sobre o final de Naruto, vou dizer só uma coisinha: foi importante. Foi importante para mim, uma fã incondicional da Hinata (apesar de ela ter sido irritante em alguns momentos), ver ela finalmente ser valorizada, do jeito que sempre mereceu. Ela finalmente teve seu destaque, como ninja, como mulher, como verdadeiro amor do herói, como tudo.


Naruto-The Last é imperdível. Deixa o coração acelerado e uma lágrima de felicidade no canto do olho. Não quero dar mais spoilers do que já dei, mas vou ter que fazer um comentário sobre o final: a cena mesclando todas as fases de Hinata e Naruto está emocionante. Fãs, preparem o lenço. E preparem-se para ficar com gostinho de quero mais. Dica importantíssima: assistam os créditos finais até o último segundo.

Atenção para o retrato do Neji nas mãos da Hanabi.


Muito obrigada pelo super presente, Tio Kishi! <3

domingo, 22 de março de 2015

Filme: A teoria de tudo

Ainda no clima do Oscar, semana passada eu estava caçando filmes que receberam algum prêmio. Acabei assistindo Para sempre Alice (que deu o Oscar de melhor atriz à linda da Julianne Moree), e A teoria de tudo. Amei os dois, mas foi esse segundo que mexeu comigo a ponto de render uma resenha aqui.



Baseado no livro de Jane Wilde Hawking, dirigido por James Marsh e com roteiro de Anthony McCarten, esse filme conta a história do físico teórico Stephen Hawking, incansável em sua mente brilhante apesar da doença devastadora que o acometeu, e sua primeira esposa, Jane. Trata-se de uma história não só de amor, mas muito mais de amizade. Não só de ciências, mas muito mais de emoções e sentimentos de qualquer ser humano.

Jane e Stephen se conheceram em uma festa da faculdade, enquanto ele fazia seu doutorado em Física, e ela sua pós-graduação em línguas francesa e espanhola. A química é instantânea e rapidamente os dois começam a namorar, mas uma desagradável surpresa logo surge na vida de Stephen: após uma paralização e um tombo feio em pleno campus, ele descobre ser portador de Esclerose Lateral Amiotrófica, e que os efeitos da enfermidade farão com que ele não viva mais de dois anos.

O fato cruel poderia ter parado a carreira de Stephen, e seu relacionamento com Jane. Mas ela não parou, e o filme deixa bem claro o quanto tudo é interligado. Teria Hawking vivido tanto e feito tanto, sem os amorosos cuidados de sua fiel escudeira Jane?



Achei o filme maravilhoso em tudo. A construção de época está impecável, a trilha sonora está emocionante, e Eddie Redmayne - merecido vencedor do Oscar de melhor ator - está magistral. A semelhança dele com o Hawking original chega a ser perturbadora, e a maneira como ele atua, principalmente nas cenas que mostram o quão cruel é a degeneração causada pela doença, convencem a ponto de chocar. Felicity Jones, a Jane, é linda e atua com muita delicadeza e verdade. O casal fica bem junto e tem cenas de amor que chegam a dar uma dorzinha no coração. O restante do elenco também não compromete, e outros atores também têm seu momento: Harry Lloyd, intérprete de Brian - amigo de Hawking que protagoniza com ele cenas de fazer gargalhar, dando um adorável alívio cômico - , e Charlie Cox, o Jonathan, jovem pastor da igreja local que ajuda a família e, posteriormente, se tornaria o segundo marido de Jane Hawking. O restante do elenco não compromete, mas foi esse quarteto que mais me agradou. Também gostei da maneira como o filme coloca os personagens: humanos. A força de Hawking e de Jane não os tornou santos. Realidade pura, onde, mesmo amando, somos passíveis de erros. Temos fragilidades. E ainda assim, nada disso anulou a linda história que esses dois construíram.



Gostei da maneira honesta como Jane Hawking - que escreveu  o livro que originou o filme - se mostra. Uma mulher que amava o marido apesar das dificuldades, mas que, mesmo com todo o seu esforço e dedicação, tinha momentos de impaciência. Qualquer pessoa que criticar alguém por perder a paciência está sendo hipócrita. Só quem convive com alguém totalmente dependente sabe o quão terrível é ver alguém que se ama sofrer desse jeito, e o quão dura e desgastante é a rotina de cuidar dessa pessoa. Qualquer marido/mulher, filho, irmão, pai ou mãe que seja forte o suficiente para ser esse protetor que o doente precisa merece SIM um troféu, porque,por mais que nos imponham que quem ama cuida e digam outras frases feitas, somos apenas humanos, e nem sempre somos fortes. Por isso sempre peço à Deusa para ser forte e ter bastante saúde para me dedicar, se um dia alguém que amo muito se tornar dependente de mim. Jane Hawking passou a maior parte da sua vida tendo essa força.

Também gosto da maneira como é mostrado seu sentimento em relação à Jonathan. Nenhum dos dois é colocado como um vilão, em nenhum momento, e de fato não são: são apenas vítimas da vida e das circunstâncias. E, por mais que pedras possam ser atiradas no Stephen Hawking por ter tido uma espécie de "caso" com a enfermeira antes de se separar de Jane (e essa enfermeira se tornaria a segunda esposa dele. Pois é.), achei bárbaro e até um pouco cômico. A doença de fato não impediu o cara de absolutamente nada, auehauheuaheuaheua (que o digam sua carreira brilhante e sua penca de filhos). A única crítica que tenho ao filme é a maneira muito rápida como aconteceu o namoro dos protagonistas. Provavelmente para não deixar o filme ainda mais longo e dar mais destaque à dramática doença, os primeiros momentos dos dois foram bem resumidos, e isso é plausível. Mas, para "justificar" todo o amor de Jane e a insistência dela em se casar com Stephen e ficar com ele pelo tempo que pudessem, deveria ter tido ao menos uma cena mais intensa.

O filme, quando acaba, deixa uma sensação boa no peito. Mostra que finais felizes não precisam ser sempre iguais. E que, por mais que o casamento tenha acabado, a história de amor dos protagonistas é eterna. E a melhor cena para ilustrar isso é a última, quando Stephen, já separado de Jane há anos e ainda assim com ela ao seu lado em um momento importante, olha para os três filhos dos dois, que passeiam à frente, e diz: "Veja que lindo tudo que construímos."


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Top 3: Filmes da minha vida

Gente linda, como vão? Espero que ainda estejam de férias (eu estou trabalhando a fu), curtindo muito esse verão que está de desmaiar o Batista. Eu estou cheinha de projetos, com muita coisa legal vindo pela frente e sem tempo até pra fazer xixi (err), mas não pretendo abandonar o blog, viram? Amo muito isso aqui. xD

Hoje deu vontade de falar de cinema. Porque eu adoro cinema (ah, vá!). Eu gosto de muitos filmes, gente. Uns mais, outros menos, uns ótimos, outros bobinhos, uns que valem pela lição, outros tão ruins que chegam a ser bons, auehuaheuhaa. Mas hoje a lista está séria, e eu trouxe três filmes que são tão, mas tão fodas, que me marcaram de verdade. Quem já os assistiu, provavelmente vai concordar comigo. Quem não assistiu ainda... assista, porque você não vai se arrepender.


3)O Silêncio dos Inocentes

(EUA, 1991, dirigido por Jonathan Demme)

Sinopse: Clarice Starling (Jodie Foster) é uma jovem agente do FBI  escalada para entrevistar o inteligente, violento e terrível criminoso Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) - sociopata condenado à prisão perpétua por canibalismo e nove assassinatos, e detido a mais de oito anos. A razão da entrevista é usar a inteligência do Doutor Lecter para traçar o perfil psicológico de um cruel sequestrador e assassino de mulheres, e assim capturá-lo. 

Esse filme é uma adaptação bastante fiel do romance de Tommas Harris, que encontrei por uma pechincha nas Lojas Americanas e, depois de ler, fiquei desesperada para assistir o filme. Geralmente me decepciono com filmes adaptados de livros que amo, mas esse foi uma maravilhosa exceção: não só amei o filme, como ele virou um dos meus favoritos ever. Eu adoro a Jodie Foster, essa mulher é incrível, pra mim é uma das melhores atrizes do mundo, e ninguém faria uma Starling tão boa quanto ela. Anthony Hopkins como Dr. Lecter dispensa apresentações, né? Quem conhece o personagem só dos filmes Hannibal, por favor, volte duas casas e assista O Silêncio dos Inocentes, não só pela atuação brilhante e assustadora de Hopkins, mas também para ver uma das duplas mais afinadas do cinema. Jodie e Hopkins estão tão bem, que a tensão é palpável, nos momentos em que eles se encontram. E é preciso também aplaudir o trabalho do diretor, que ao focar o rosto de Lecter, consegue nos passar a exata sensação de medo de Clarice, e o desconforto é tão grande que às vezes nos faz roer as unhas e até desviar os olhos da tela (juro!). Para quem ama terror psicológico, mistério, histórias inteligentes e atuações brilhantes, esse filme é imperdível.



2)Réquiem para um sonho

(EUA, 2000, dirigido por Darren Aronofsky)

Sinopse: Usando três estações do ano, "Réquiem para um sonho" narra as histórias de Sara (Ellen Burstyn), seu filho Harry (Jared Leto), a namorada dele, Marion (Jennifer Connelly) e um amigo do casal, Tyrone (Marlon Wayans), mostrando a destruição que o vício causará nas vidas de cada um desses personagens.

Se eu tivesse que usar uma única palavra para definir esse longa, a palavra seria FORTE. Tudo é muito intenso nesse filme, e é impossível passar por ele impune. Cenas de amor, de violência, de sofrimento, e a autoflagelação brutal a que seus protagonistas se submetem: Sara passa dias assistindo incansavelmente um programa de televisão e, ao ter oportunidade de participar do mesmo, entra em uma busca obsessiva para perder peso, toma remédios que a ajudam a alcançar esse objetivo, mas... a fazem pagar um preço alto demais. Os demais personagens - Harry, Marion e Tyrone - vêem o vício em drogas os fazer afundar de uma maneira irreversível. Prostituição, doenças a prisão é o destino deles. 
Jared e Jennifer (que dormiram no formol e não envelheceram nada nos últimos quinze anos) arrasam tanto juntos quando separados, Ellen Burstyn (que ganhou uma porrada de prêmios de melhor atriz, por esse filme) dá uma aula de atuação, e Marlon Wayans surpreende (no bom sentido) ao dar vida a um personagem que não tem a ver com seus costumeiros papéis cômicos. O filme é tenso e pesado como um todo, mas são duas as cenas que não saem da minha cabeça - Sara, já completamente louca e doente, sonhando que está linda, feliz e ao lado do filho, aplaudida por centenas de pessoas na TV (chorei horrores vendo isso), e a última cena de Marion, que ao chegar em casa toda machucada após se prostituir (em uma cena de sexo grupal de embrulhar o estômago), se deita no sofá e abraça as drogas que conseguiu, com um sorriso débil no rosto. De arrepiar.



1)Dançando no escuro

(EUA, 2000, dirigido por Lars Von Trier)

Sinopse: A imigrante tcheca Selma Jezková (Bjork) se mudou para os Estados Unidos com o filho, Gene (Vladica Kostic) e vive com ele em um trailer, na propriedade do policial Bill (David Morse) e sua esposa, Linda (Clara Seymour). Para sobreviver, trabalha em uma fábrica metalúrgica ao lado de Kathy (Catherine Deneuve), e fã de musicais, gosta de ir ao cinema assisti-los e ensaiar apresentações de uma peça, com o grupo de teatro local. Mas Selma mantém um segredo - portadora de uma doença que a está fazendo perder a visão dia após dia, trabalha cada vez mais, a fim de juntar dinheiro para a cirurgia do filho, que tem a mesma doença.

Atenção: quem quiser assistir esse filme, prepare o lenço, as galochas e o guarda-chuva, porque a tendência a alagar a casa é grande. Err. Tá, não é pra tanto. Mas o fato é que esse filme me derrubou bonito. Assisti Melancolia antes de assistir esse, e estava crente que o drama da depressão tendo a colisão de planetas como pano de fundo seria para sempre o meu filme favorito do tio Lars, mas aí encontrei Dançando no escuro, e... bom, vocês já sabem. Todo o elenco está ótimo, mas Bjork está fantástica, visceral. O filme é todo dela. Na figura frágil e até meio patética de uma mãe solteira ingênua, humilde e, apesar da situação em que vive, extremamente sonhadora, ela faz com que a gente se apaixone e torça por ela até o final. Ela canta, encanta, sorri, chora, batalha, e quando questionada pelo "peguete" Jeff (Peter Stormare) se está cega, ela devaneia que joga os óculos fora e começa a cantar, dizendo não precisar de visão (a música dessa cena, composta pela própria Bjork, concorreu ao Oscar de canção original. O filme também levou vários outros prêmios). Apesar de ser lindo e nada cansativo do início ao fim, aqui também foram duas as cenas que me marcaram: em um momento em que Selma e Kathy assistem a um musical no cinema e Selma não consegue enxergar mais nada, Kathy pega a palma da mão da protagonista e, usando seus dedos, imita os movimentos de dança do casal do filme, para que Selma "veja" o que está acontecendo. Tocante e genial demonstração de amizade verdadeira. E a outra cena que acabou comigo foi a final (não poderia ser outra). Não vou dar detalhes porque seria um spoiler gigante, mas vou dizer uma coisa: a cena é dramática e fortíssima, e me deixou desesperada. Juro que eu tremia, quando acabou.



Sabem porque decidi fazer esse Top 3, gente? Porque esses foram filmes que eu assisti, e no final a primeira coisa que pensei foi: "caralho, que puta filme!". Isso não é cinema, gente, é cinemão! E espero que esse meu post os inspire a se jogar no baldão de pipoca e assistir não só esses, mas também outros filmes que, por terem fama de "filmes cabeça", sofrem preconceito de quem acha que eles "são chatos". Podem parar por aí, gente. Se você gosta de cinema, pode e deve descobrir essas histórias incríveis. =)

Um beijo, e até a próxima. Xoxo. :*


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Filme (bizarro): A Centopéia Humana


Há algum tempo atrás, como sempre acontece quando fico entediada (leia-se sozinha em casa, cansada de escrever, enjoada de ler e com a cabeça doendo de tanto ver animes), catei um filme sem noção pra assistir. E o escolhido foi justamente A Centopéia Humana, a primeira sequência daquelas "obras de arte" do Tom Six, em que as pessoas tem as bocas costuradas nos bumbuns (estou sendo educada) umas das outras. Não tenho coragem de ver o segundo filme, que dizem ser beeeem mais hardcore, mas como juraram que esse mostrava pouquíssimo gore, olhei sem receios e sem expectativas.

Gente, o filme é tão ruinzinho que, apesar da premissa genial (cof, cof...), conseguiu ser um mero terror bobo. Para começar, todos os atores são sofríveis, ninguém se salva, garanto que até as árvores das peças escolares tem uma performance melhor atuando (nossa, como tô engraçada hoje u.u. Not). A história e o roteiro simplesmente não podem ser levados a sério, então decidi escrever essa resenha de forma diferente, com anotações que eu fui fazendo enquanto assistia, mesmo (adoro fazer isso).



ATENÇÃO: O TEXTO ABAIXO ESTÁ CHEIO DE SPOILERS!

*A casa do médico maluco foi a única coisa o que mais gostei no filme. A planta dela é um verdadeiro labirinto, com uma decoração fria, quadros bizarros, corredores estreitos e um monte de portas que podem dar tanto para quartos quanto para uma piscina ou uma câmara de tortura. Pra mim, que tenho fobia de labirintos e de qualquer coisa que me sufoque, só ficar perdida dentro dessa casa seria um verdadeiro filme de terror.

*Uma das garotas tenta fugir assim que fica sabendo o que o médico pretende fazer. E a falta de inteligência da criatura é digna de aplausos. Depois de correr pela casa, ela se fecha em um dos quartos enquanto o Doutor Albieri Helter a persegue. A primeira coisa que pensei foi "deixe a porta aberta, e assim que ele entrar taque um desses abajures pesados na cabeça dele". Mas não, a moça trancou tudo e ficou lá encolhida, enquanto o cara esmurrava a porta e ameaçava arrancar todos os dentes dela sem anestesia (ai). O que ela achava, que ali ficaria salva dele? Outra coisa que me causou um facepalm foi ela tentar fugir arrastando a amiga. Até onde ela achou que conseguiria ir? Ela sabia que o médico não ia matar as outras vítimas, então simplesmente sair correndo sozinha para buscar ajuda teria tido mais chances de dar certo.

*O japonesinho furioso na maca fez eu me escangalhar de rir.

*Talvez eu esteja ficando paranóica, mas o fato de o médico ter colocado o único homem do trio na posição menos, digamos assim, "desfavorável", me soou como misoginia. Quando ele dá tapinhas nas costas do cara e o chama de "meu líder", a impressão de machismo é reforçada. De qualquer jeito, em um filme como esse isso nem é relevante.

*O médico beijando o próprio reflexo no espelho, se parabenizando por seu feito, foi uma das cenas mais "WTF?!" que já vi na minha vida. Mas para um personagem tão louco, egocêntrico, sádico e bizarro, isso fez todo o sentido.

*Achei que o "líder" da centopéia seria o primeiro a se recusar a comer, por causa da situação das "colegas". Mas ele nem pensa antes de cair de boca na comida. Pô, que falta de consideração!

*Qual a necessidade de mostrar o médico nadando pelado?

*O pus saindo do rosto infeccionado de uma das vítimas me deu mais nojo que todo o resto.

*Para um psicopata, o doutor é outro que carece de inteligência. Quando um policial e um detetive que estão investigando os desaparecimentos vão até sua casa, ele é tonto o suficiente pra deixar uma seringa com tranquilizante cair bem na frente dos caras. E quando questionado, responde: "É insulina! Eu tenho diabetes!" Há há há há há há há há há há há há há!

*Uma das vítimas morde o médico e lhe arranca um pedaço. Bem feito pra ele. Mas essa cena não precisava ser em close, né?

*A cena da centopéia subindo a escada me deu muita agonia.

*O líder da centopéia, que até então me parecia o menos burro mais inteligente, escolheu um péssimo momento para refletir sobre sua vida miserável e punição divina. Cara a cara com o vilão e com chances de matá-lo e acabar com aquilo tudo, simplesmente pegou um caco de vidro e se suicidou. Não acreditei no que meus olhos estavam vendo.

*Esse filme tem a polícia mais incompetente da história do cinema.

*O final angustiante para a sobrevivente poderia ter sido bom, se o segundo filme partisse dali. Mas como não é o caso, aquele final foi uma bosta e não fez sentido nenhum. Foi um "final sem final".



Conclusão: só assistam esse filme se estiverem muuuuuuito entediados, ou com tanto mau humor que precisam de algo para detonar. O troço é uma bomba, e no mau sentido.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Filme: Invocação do Mal

Falou, gente! :D
Ainda tô me recuperando do finde, e vocês? :P Sexta tive um niver, sábado dei um passeio muuuuito legal com um amigo em Porto Alegre (breve contarei sobre isso aqui), e ontem passei o dia com meu papis <3. Ou seja, eu estaria de bom humor e só teria notícias boas... se meu notebook não tivesse dado pau ¬¬. Pois é, o bicho foi pro conserto, e eu tô postando da Hemeroteca da Facul. Tentarei manter a frequência dos posts, mas se eu der uma sumidinha, vocês já sabem que a culpa não é minha, hahaha. xD

Hoje tem um resenha de filme quentinha pra vocês. =)




Esse filme é bem famosinho, né? Sempre tive curiosidade em assistir, pois sou fascinada na história da boneca Annabelle e sabia que um pouco disso seria mostrado no longa. Aproveitando um tempinho livre e um dos meus raros dias de internet boa, catei o filme e assisti. Sábia decisão. Eu amei! 

Eu estava meio por fora e achando que a Annabelle era a "protagonista" do filme (aliás, por que usaram uma boneca tão diferente da original? Eu particularmente acho que uma Raggedy Ann causaria bem mais impacto.), mas ela não tem muita participação. A história gira em torno de um dos casos mais assustadores dos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga). É o caso da família Perron, que no ínicio dos anos 70 se mudou para uma casa de fazenda de mais de 150 anos.

A direção de arte deu um verdadeiro show nesse filme. A casa enorme, cheia de quartos e com um porão escondido por tábuas parece muito real, com a "bagunça organizada" típica de uma família grande, e mais as paredes com papéis amarelados e descascando, como todo local velho. O casal Roger e Carolyn Perron (Ron Livingston e Lili Taylor) e suas cinco filhas, Andrea, Nancy, Christine, Cindy e April, logo ocupam seus quartos e se acostumam com o sobrado. Mas não demora muito para que coisas bem estranhas comecem a acontecer. O primeiro fato é o cheiro de carne podre que surge sem explicação. E então April, a filha caçula, arranja um "amigo imaginário". Christine, a do meio, sente seus pés serem puxados durante a noite. Andrea, a mais velha, é atacada por um ser estranho. E quando a coisa fica feia a ponto de Carolyn ser derrubada da escada e trancada no porão, essa mãe desesperada busca os especialistas Ed e Lorraine, que visitam a família e ficam chocados com o que descobrem.

Gente, vou contar uma coisa pra vocês: esse filme conseguiu me assustar. Sim, eu, que dei risada assistindo O Grito, fiz cara de tédio para Begotten e não achei nada demais em A Profecia, me assustei com Invocação do Mal. Me assustei mesmo, a ponto de desconfiar de qualquer barulho (eu estava sozinha em casa xD) e gritar (sim, eu GRITEI) quando a personagem da Vera Farmiga tomou um baita susto. E muito disso se deve não só ao excelente climão do filme, mas também ao ótimo elenco. Os casais estão ótimos, e as meninas mortas de medo estão fantásticas (a Joey King, que interpretou a Christine, me deixava com vontade de abraçá-la quando sua personagem chorava de desespero). Vera Farmiga brilha tanto nas cenas na casa quanto em outras situações, como quando tem uma visão de sua filha afogada no lago. E Lili Taylor, a Carolyn, "estraçalha" em todos os momentos, principalmente no terço final do filme. Não direi mais nada pra não dar ainda mais spoiler do que já dei, mas tenho que dizer que fiquei com pena, e ao mesmo tempo morrendo de medo daquela mulher.

O que mais posso dizer? Puta filme. Virou um dos meus terrores favoritos e resgatou meu gosto pelo gênero, depois de tanto tempo assistindo longas que não me faziam nem cócegas, não me tiravam sequer uma careta de apreensão. Tenho que aplaudir toda a produção, elenco e, principalmente, o diretos James Wan, que provou que Terror é mesmo a sua praia (por favor, James, faça mais filmes assim!). Vou parar por aqui para não entregar o ouro a quem não assistiu ainda, e por favor, assistam. Esse eu recomendo com gosto. ;)



PS: Já viram o trailer de Annabelle? =D




sexta-feira, 2 de maio de 2014

Filme: Begotten

Boa tarde, gente!
Como vocês sabem, estou viajando a trabalho e com o tempo bem corrido. <o> Como já tenho essa resenha pronta desde a semana passada, decidi compartilhá-la com vocês. :)

Lembram dessa postagem, em que listei filmes que eu nunca teria coragem de ver? Lembro que na época o que mais me chamou atenção e causou repulsa foi Begotten, e ele só ficou em segundo lugar porque Holocausto Canibal apresenta um motivo incontestável para que eu não o assista. Sempre tive certeza de que Begotten me deixaria com medo, e ao mesmo tempo a curiosidade em relação a ele era bem maior do que aos outros da lista. Afinal, não era apenas um filme controverso - era experimental mesmo, puramente artístico, escandaloso por trazer metáforas blasfêmicas. Qualquer coisa que tenha um alerta de "transgressor" sobre a cabeça me atrai feito uma droga, e então chegou o dia em que, sem pensar muito, deixei a frescura de lado e botei o filme pra rodar (você o encontra completo no Youtube).


Como não sou tão ~macho~ assim e tinha certeza absoluta de que o filme me perturbaria, tratei de assistir durante o dia, com janelas e portas abertas e agarrada no terço com uma xícara de café na mão. Talvez tenham sido justamente essas expectativas, o motivo de eu ter me frustrado com o filme. Esse longa não me fez nem cócegas, gente.

Tá, antes que me apedrejem, digam que eu não entendi a obra, que sou uma boba, chata e cara de mamão alienada que não aprecia arte e prefere Jogos Mortais, já aviso que entendi, sim, a Metáfora com Deus, a Mãe Natureza, e o "Carne sobre Ossos". Como esse filme é pouco conhecido pelo público e vocês provavelmente estão boiando, explico: Deus acabou de criar o mundo, e se suicidou em seguida. A Mãe Natureza se fecundou com o sêmen dele e gerou um filho, uma aberração chamada "Carne sobre Ossos", que passa o tempo todo aparentando estar sofrendo horrores. Pouco antes do meio do filme, um grupo de nômades encontra os dois, tortura e mata o "Carne sobre Ossos", e estupra a Mãe Natureza. Tudo isso é contado sem diálogos, com imagens em preto e branco e sem meios tons, que são um verdadeiro teste para os olhos em alguns momentos. A história - que na verdade é apenas uma sequência de acontecimentos sem muito nexo - dá margens a várias interpretações, e eu interpretei dessa forma: Deus criou o mundo, mas não quis continuar nele, e então se matou e disse "te vira" para a própria criação. A Mãe Natureza, sozinha, usou os elementos dados por Deus (aqui representados pelo sêmen) para criar o "Carne sobre Ossos", que nada mais é do que o mundo que temos: uma criação divina (ou satânica, dependendo do ponto de vista), porém terrivelmente "deformada", "estragada", "defeituosa". E os nômades... os nômades são a espécie humana, meus caros. Que arrasam com tudo que encontram, acabam com o mundo (matam o "Carne sobre Ossos") e destroem a natureza (não é muito difícil fazer uma analogia entre toda a esculhambação que fazemos com a natureza e o estupro coletivo que a mulher que a representa sofre, no filme).

Sim, gente, achei essa premissa genial. É pura blasfêmia, ousadia, cenas cruas e chocantes, que além de causarem caretas de espanto, o obrigam a ficar com os olhos grudados na tela, já que as imagens não são nítidas e exigem esforço, para que entendamos o que está acontecendo. Os efeitos sonoros dão nos nervos (no bom sentido) e a musiquinha que toca de surpresa às vezes constrói uma tensão e tanto. But... não dá medo. Nenhum. O filme é chocante, mas não é assustador. Talvez eu que tenha lido muito a respeito da obra e esperado demais, ou talvez eu seja fria para filmes de terror/horror, já que pouquíssima coisa me assusta de verdade. Pode ser também que a culpa seja de eu ter visto em plena luz do dia, mas esse é o ponto: quando um filme é assustador e pesadão mesmo, ele vai te deixar arrepiada até se você assisti-lo no meio de um desfile de carnaval, com seu pai ao fundo dançando Macarena. E de verdade, não me assustei aqui. Não foi nem de longe uma coisa bonitinha de se ver, mas não me causou pesadelos nem voltou à minha mente, como imaginei que aconteceria. E quando você não fica nem um pouco mexida ao ver um filme que você relutou durante mais de um ano para assistir, não tem como não se decepcionar.

Apesar disso, aprovo Begotten por um motivo simples: o Horror tem várias faces, e o fato de eu não ter me assustado não tira nem um pouco o mérito desse longa. Esse Horror aqui está na metáfora, na crueza, na perturbação ao reconhecer a realidade em que vivemos, escondida em cenas tão bizarras. Begotten, mesmo não te fazendo dar pulos no sofá, vai te fazer pensar e se sair muito melhor do que filmes comerciais recheados de sustinhos fáceis. Não é um filme imperdível, mas com certeza é uma experiência que vale a pena.


quinta-feira, 27 de março de 2014

Top 5: Filmes para chorar

Cinema é questão de gosto e, acredito eu, momento. Embora eu seja uma exímia admiradora de cinema experimental, filmes de arte e bizarrices que pouca gente entende gosta (beijo, Lars Von Trier), sou humana e muitas vezes quero apenas relaxar com uma tigela de pipoca, assistindo filmes de menina (lembram da minha lista de comédias românticas?), clássicos de Sessão da Tarde (alguns tão ruins, que chegavam a ser bons) e meu gênero preferido que, como todos sabem, é suspense/terror :3.

Não sou muito chegada a Drama. Para realmente me agradar e tocar meu coração tem que ser excepcional, tipo O Segredo dos Seus Olhos. Ainda assim, me arrancar lágrimas é tão difícil quanto me assustar - e os 5 filmes que coloquei nessa lista sequer entram no gênero Drama, asuahushuahsuahsua (os que mais se aproximam a isso são o 3 e o 1). Mas como emoção é muito relativa, fiquei surpresa ao ver esses longas e acabar chorando baba e ranho. Sendo assim, vou compartilhá-los com vocês, já que o mérito de me derrubar foi todo deles xD :

5. Presságio

Tá, eu sei que esse filme decepcionou muita gente, mas o fato é que eu adorei ele. Embora eu também tenha achado aquelas cenas do final meio forçadas, Presságio conseguiu prender minha atenção, me deixou bem assustada (tremi na hora do pesadelo do garotinho) e  me fez imaginar o que eu faria, na situação do protagonista interpretado pelo Nicolas Cage. Mas a cena responsável por incluir o filme nessa lista foi, sem dúvida, a cena da despedida entre pai e filho, quando o menino não quer entrar na "arca" e deixar o pai para trás. Quase morri, eu provavelmente faria um escândalo e colocaria meu pai pra dentro na marra, no lugar dele. :P

4. O Nevoeiro

"WTF, Letícia? Você chorou vendo um terrorzão, baseado em uma obra do Stephen King?". Pois é, gente. Esse filme nem é tão sangrento, mas foi um dos terrores que mais conseguiram me perturbar, de uma forma que pouquíssimos tiveram a honra (o outro foi Irreversível, mas esse merece um post só para ele). O filme é claustrofóbico do início ao fim, explorando bem os sentimentos das pessoas presas dentro de um supermercado em pleno apocalipse, sem ter uma noção real do que as espera e tendo que conviver com o próprio pânico (e uma fanática religiosa que consegue ser a criatura mais assustadora de O Nevoeiro). A ausência de trilha sonora tornou tudo ainda mais real e me tirou o sono durante semanas - mas a cena que o deu lugar na lista foi, mais uma vez, a última. Quem assistiu sabe o quão doloroso foi para o protagonista, fazer o que ele fez, e perceber que fez aquilo inutilmente e agora não poderia mais voltar atrás foi a coisa mais aterrorizante do mundo, passei mal de tanto chorar e cheguei a deixar o então namorado preocupado. Filmaço.

3. PS: Eu te amo

Esse filme é pop e até já foi citado aqui no Blog, mas sua história linda, fofinha e emocionante mereceu a medalhe de bronze (ainda não tive oportunidade de ler o livro, que dizem ser mil vezes melhor). Nem precisa ser um(a) grande romântico(a) para se emocionar com essa história, basta se imaginar na situação da mocinha, que vivia um relacionamento feliz  e apaixonado (mesmo com as eventuais brigas, e acho ótimo que a história não tenha precisado vender um "casamento perfeito" para validar o amor e o sofrimento da Holly), e de repente viu seu parceiro ir embora tão jovem, levando embora o sonho de construir uma família com ele e a fazendo se sentir completamente sem chão. O choro aqui  veio na cena em que ela lê a carta perto do "forte" de quando o marido era criança (e é lindo ver ele narrando e sorrindo enquanto fala com ela), mas o nó na garganta permaneceu o tempo todo, e por isso esse longa está aqui.

2. Marley & Eu

Eu amo animais, principalmente cachorros, então não é nenhuma surpresa o fato de nada conseguir me comover mais do que eles (e uma coisa que me deixa furiosa é ver um animal em um filme de terror, porque de cara já sei que o bichinho vai se dar mal). Marley & Eu é uma história real e baseada no livro do John Grogan, e o danado do labrador apronta o diabo: Arrasta mesas de restaurantes, pula do carro em movimento, come a joia que sua dona acabou de ganhar de presente... enfim. Mas nada disso impede de nos apaixonarmos completamente por ele. Os momentos que me fizeram alagar a casa aqui foram a cena em que o dono Owen Wilson se despede de Marley, seu amigo de anos, e faz uma declaração de amor a ele, e a cena do "funeral", com direito à homenagem das crianças e à dona tirando o colar que havia sido comido pelo cão anteriormente, a fim de enterrá-lo junto com ele. Lindo demais.

1. Sempre ao seu lado

Esse é pra derrubar até aquele seu amigo metido a machão! (boatos de que a maioria das cidades brasileiras sofre com terríveis alagamentos, nos dias em que a Globo passa esse filme). Err. Brincadeiras a parte, esse filme também é baseado em uma história real, mas sua grande diferença para Marley & Eu é que o labrador do John Grogan teve uma vida longa e feliz, o que não foi o caso do Hachi, interpretado por nosso amigo Akita que diva ao lado do Richard Geere em Sempre ao seu lado. Esse foi o ÚNICO filme que conseguiu a proeza de me fazer chorar do início ao fim - sim, já abri o berreiro assim que vi a primeira cena, com aquela bolinha de pelos indo atrás do protagonista e o "escolhendo", como disse o próprio professor. Chorei justamente por já conhecer a história, e todo o longa foi só emoção - principalmente na cena em que a viúva encontra o Hachi na estação após 9 anos e chora abraçada nele (chorei de soluçar nessa parte). O final, que dá a entender que Hachi finalmente reencontrou seu amigo, ao morrer velhinho e dormindo, foi uma das cenas mais lindas que já vi em um filme. Tanto que tô chorando agora, enquanto escrevo isso, só por ter me lembrado (podem me chamar de emo fresca monga). xD


Essa lista acabou trazendo filmes bastante populares, mas que de fato me emocionaram muito e nunca mais saíram da minha cabeça. Amo todos. :) E quanto a vocês: Qual filme conseguiu fazê-los chorar de verdade?

Beijinhos, até o próximo post! :*



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Filme: 500 dias com ela

Boa tarde! :D
Passei a última semana me dividindo entre correria e mordomia: Curti um veraneio desde sábado (25), mas na última quarta-feira voltei pra casa, e dei cara com a minha mãe com o pé enfaixado -_-. A véia torceu o tornozelo no trabalho, e agora tá na maior mordomia em casa, uashaushuahsuahsasa. Mas ela está bem, então aproveitei o domingo livre pra passar aqui e falar de um filme famoso, mas que só assisti recentemente.


Dirigido por Marc Webb em 2009, essa comédia dramática estadunidense é estrelada por Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel. Com uma narrativa "quebrada" (não linear e que volta e avança no tempo várias vezes), mostra toda a desventura de um romance do início ao fim, dos doces momentos de amor à queda na rotina e o triste fim. 

Feito como produção independente, o filme foi distribuído pela Fox Searchlight Pictures e estreado no Sundance Film Festival, onde fez o maior sucesso (com direito até a ovação no final). Eu digo que gostei bastante do filme, pois apesar do jeitão de comédia romântica, ele foge completamente do padrão cliché desse gênero. A própria narrativa não-linear já é uma inovação: a história é contada através dos 500 dias de duração do relacionamento (1 ano e 6 meses), de forma que estamos no dia 10, saltamos para o dia 150 e então retornamos para o dia 35, por exemplo. Assim, é explicado como as manias do começo passam a irritar quando tempo avança  e como o que antes era bom deixa de ter graça, em uma forma genial de mostrar o que levou o casal a uma separação. Gostei também porque é tudo contado através do ponto de vista do rapaz (algo raríssimo nesse estilo), e porque aqui, quem sofre e corre atrás é ele. Não estou dizendo isso por ser sádica e achar que homem tem mais é que sofrer (rsrsrs), mas pela inovação, mesmo: Ora, quantas comédias românticas já tiveram coragem de mostrar um cara sonhando se casar com a garota, fazendo tudo por ela, enquanto ela não tá nem aí para relacionamentos sérios e quer mais é ser livre? 500 dias com ela faz isso. =)

Como não poderia deixar de ser, o machismo é cutucado aqui. Um exemplo disso é quando Summer (Zooey) está conversando com Tom (Joseph) e um amigo em uma mesa de bar, e os dois ficam de queixo caído quando ela diz que não acredita no amor e que este é apenas uma fantasia que o ser humano criou para não admitir que morre sozinho. O amigo de Tom (que não lembro o nome :3), bêbado, chega a dizer aos risos que Summer deve ser um homem. Essa simples frase do rapaz mostrou duas faces do machismo: Ela diz que, assim como Summer, por ser mulher, deve acreditar no amor, não acreditar  é coisa de homem, homem deve ser frio. Se Summer é fria e desencanada, é porque ela tem "cabeça de homem". E assim se move o mundo desde o início da humanidade. 

O slut-shamming também corre solto aqui. Summer, coitada, é "apedrejada" não só pelo Tom, mas por boa parte dos espectadores (é grande a incidência de homens que assistem e chamam ela de vadia pra baixo, inclusive entre os meus amigos). O erro dela foi, basicamente, terminar o namoro que não a fazia mais feliz. "Ah, Letícia, mas ele era tão querido, tão apaixonado!" "Ele levava ela a sério e ela não deu valor!". Essa são as coisas que dizem da Summer, mas aí eu pergunto: E daí? Se ela tivesse iludido o cara, até concordo que seria canalhice, mas não foi o caso - muito pelo contrário, ela sempre deixou claro que não pretendia se prender. (SPOILER) "Ah, mas no final, ela se casa com outro!" Tchã-ran! Sim, caras-pálidas, ela se casa com outro, assim como 95% da população mundial, que não se casa com o primeiro namorado, mas sim com o segundo, terceiro, quarto, infinito e além. E daí que ela se casou com outro, gente? Entendo a dor e a raiva do Tom, mas às vezes as pessoas mudam com o tempo. Pelo que ouço/leio sobre a Summer, fico com a impressão de que as pessoas acham que o certo é a mulher se casar com o primeiro namorado que realmente se apaixonar por ela, e se ela não fizer isso, é uma vaca filha da puta. Ou seja, o mundo é composto por um monte de filhos(as) da puta. Ba dum tss!

Adorei o final, que mostra o Tom se recuperando da dor de ser deixado por quem ama, e usando aquilo como estímulo para mudar sua vida para melhor, se assumir como realmente é e trabalhar no que realmente gosta. E até sua redescoberta ao mundo da paquera, após tanto tempo vivendo só para a Summer. Na última cena, após conversar com a garota que acabou de conhecer e convidá-para para um café, o filme fecha com a tela "Day 1", dando a entender que o ciclo recomeçaria com aquela garota. Irônico, verdadeiro e inteligente. Nossas sagas no amor não são sempre semelhantes, afinal?


domingo, 20 de outubro de 2013

Especial: O Morro dos Ventos Uivantes

Boa tarde, gente! :D
Meus últimos dias têm sido bem corridos. É um tal de escrever aqui, ver filme e animes ali, trabalhar, dar atenção pros mores... Hehe. Como hoje tive um domingo ocioso, decidi atualizar. E o assunto é uma história que é uma das paixões da minha vida. <3

O Morro dos Ventos Uivantes é um romance inglês, escrito pela Emily Brönte em 1847. Considerado um clássico, teve várias adaptações para o cinema e uma  para a televisão. Hoje vou falar sobre o livro, e sobre o filme que eu assisti. =)


O Livro


Admito que não sabia nada sobre a história antes de ela ser mencionada em Eclipse, da Stephenie Meyer. O livro é um dos favoritos da protagonista Bella, que em uma passagem chega a dizer que "o amor entre Catherine e Heathcliff é a única coisa que os salva." Bella tem razão. Cathy e Heathcliff são anti-heróis, e é justamente isso que os torna tão fascinantes.

Uma das coisas que acho muito interessante em O Morro dos Ventos Uivantes é a narrativa. Ela não é linear, e começa com a chegada do Sr. Lockwood à mansão do título, a fim de falar com o atual dono do local sobre o aluguel da Granja dos Tordos. Esse dono é o protagonista, Heathcliff. E após ficar curioso com a personalidade daquele homem sombrio, Lockwood convence a criada, Ellen Dean, a contar sobre ele. E é assim que Ellen - chamada de Nely pela maioria dos personagens - narra a saga das famílias Ernshaw e Linton, contando toda a história de paixão, dor e vingança que atravessou duas gerações.

Rico em detalhes e muito bem amarrado, o romance prende do início ao fim e nos faz lamentar o fato de Emily Brönte ter escrito somente ele. Brönte consegue nos envolver de tal maneira, que é como se aquelas pessoas realmente tivessem existido, é muito fácil visualizá-los. Heathcliff é um homem amargo, cruel, possessivo, só pensa em se vingar e é doentio a ponto de fazer isso na geração seguinte, não poupando sequer o próprio filho. Catherine, por sua vez, é mimada, voluntariosa, passional e tão cruel quanto Heathcliff, quando julga necessário. Em comum, eles tem a intensidade. É incrível como são complexos e cativantes, e como a paixão entre eles consegue comover e até "justificar" as atrocidades que Heathcliff cometerá no futuro. Eles amavam apenas um ao outro, e a si mesmos. Todos os outros personagens são apenas coadjuvantes desse relacionamento obsessivo e perigoso.

Como Catherine morre no meio da história, é Heathcliff quem passa a comandar a segunda fase, movimentando a vida de todos que o cercam em torno de seus desejos sangrentos. Ele não tem compaixão por ninguém e não volta atrás em nada, mas também sofre horrores e chora por sua amada, o que o torna humano. Fazendo uma comparação infame, Heathcliff seria aquele bad-boy que nos causa medo e ao mesmo tempo nos seduz. Tem um final digno ao finalmente se juntar a Catherine na eternidade, e apesar de termos lido toda a sua maldade ao longo das páginas, seus sinais de dor e arrependimento pouco antes de morrer nos fazem perdoá-lo instantaneamente. Por mais estranho que pareça, ao ler a última cena, sobre o túmulo de Heathcliff ao lado do de Catherine, fechei o livro com uma sensação de paz. Talvez seja uma espécie de consolo, por ver até mesmo o mais gelado dos corações se entregando ao amor, sem restrições. E por mais destrutivo que esse sentimento tenha se mostrado para Heathcliff, é impossível não se apaixonar pela história. E pelo casal estranho, torto e inegavelmente belo.


O Filme

 

Já ouvi falar de no mínimo 6 adaptações para O Morro... , mas a que me chamou atenção de cara foi a de 1992. Pela fotografia belíssima e, principalmente, por ver nos trailers um Ralph Fiennes lindo e cabeludo (<3), interpretando um Heathcliff maravilhoso e selvagem *suspiros profundos*.

Ahém. Tentei assistir pela internet, mas não consegui ¬¬ . Como não ia sossegar enquanto não assistisse, fui às locadoras e peguei o bendito. E não fiquei nada menos que apaixonada. Esse filme foi produzido no Reino Unido e dirigido pelo Peter Kosminsky, e ficou tão fiel que emociona os fãs do livro só por isso. :´) Juliette Binoche interpreta a protagonista Catherine Ernshaw e também a filha dela, Cathy Linton. E é ótima nas duas. Além da diferença física - a primeira tem o visual natural da atriz, e a segunda é loira e tem olhos azuis -, elas também são distintas pelos gestos e pela expressão. Catherine é altiva e tem um eterno ar de curiosidade e malícia. Cathy é suave e tem um olhar doce e inocente, o que condiz perfeitamente com ela, já que a personagem é nada mais que uma vítima da situação.

Quanto ao Heathcliff do Ralph Fiennes... ele é um caso a parte. Embora não seja fisicamente parecido com o do livro, ele está entregue ao personagem de um jeito, que você o olha e diz : É o Heathcliff. O olhar intimidador está ali, a expressão dura no rosto, a acidez das palavras, a total falta de hesitação em assumir suas intenções absurdas. Fiennes fez um trabalho perfeito, tanto na primeira fase, em que é apenas um rapaz bruto, sem instrução e humilhado constantemente, quanto na segunda, em que está rico, bem vestido, seguro, e com sua natureza má finalmente desenvolvida e assumida. E, não posso deixar de comentar: O ator está simplesmente lindo. Eu não trocaria aquele Heathcliff nem por mil Edgar Lintons *o*. Hehehe.

Poucas vezes vi adaptações para o cinema que ficaram tão fiéis à obra original. Essa é. Claro que não dá pra reproduzir palavra por palavra e cena por cena (ou teríamos um filme de cinco anos, LOL), mas o livro de Emily Brönte não foi "mutilado", como a maioria é. Todo o necessário está ali, da infância dos personagens principais ao final parcialmente feliz graças ao amor que nasce entre Cathy e Hareton (outro personagem fundamental, que também ganhou meu coração na interpretação do gatíssimo Jason Riddington). Não conheço as outras adaptações, então não posso falar nada sobre elas, mas digo sem sombra de dúvidas que O Morro dos Ventos Uivantes de 1992 entrou para a minha lista de filmes favoritos. Fez jus a um dos livros que eu mais amo. ^.^


É isso, gente. :D Espero que tenham gostado da postagem, e corram para ler o livro e ver esse filme. Vale muito a pena. =)


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Filme: Bullying - provocações sem limites

Boa noite, gente.
Lembram que no último post eu comentei do calor que estava fazendo aqui no Sul? Pois é. Apesar de termos acabado de entrar na Primavera, esfriou de novo por aqui. Está, tipo, muuuito frio, do tipo que nos faz sair na rua de botas, gorrinho, cachecol e luvas. Ah, o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, Suuuuul... ♫ (Entenderam por que ser gaúcho é para os fortes? xD)

Err. Mas não vim aqui para falar do clima, tão pouco do meu Estado natal. O assunto é bem sério até, apesar de ser uma resenha de filme. E já faz tempo que vi esse longa pela primeira vez, aí sei lá porque cargas d'água decidi assisti-lo de novo a cerca de um mês atrás. E me dei conta de que, apesar de ele ser pouquíssimo conhecido, merecia uma resenha. Fiz anotações, e agora é sobre ele que vocês vão ler.


Bullying - provocações sem limites é um filme espanhol e foi dirigido por Josetxo San Mateo, estreando em 2009. Jordi (Albert Carbó), o protagonista de cerca de dezessete anos, acabou de perder o pai e então se muda para uma nova cidade com sua mãe, Julia (Laura Conejero), a fim de começar uma vida nova. Já no começo dá pra ver que ele é um garoto doce, carinhoso e não quer dar mais preocupações à mãe, já que estavam passando por um momento difícil. Sendo assim, ele sofre calado. E, olha, o que ele aguenta não é pouco. Pra se ter uma ideia, ele é forçado a beber e a se drogar - forçado mesmo, no sentido literal da palavra -, recebe urina na cara, e vê sua cachorra de estimação ter a pata quebrada. Isso só nos primeiros trinta minutos.

Nesse filme, nada é deixado para imaginação. Os detalhes estão todos ali, de forma crua, fazendo com que a gente sofra junto com o protagonista, e tenha o mesmo sentimento de desespero, raiva e impotência que ele. E um fato interessante é que Jordi é um garoto comum, nem bonito nem feio, nem burro nem especialmente inteligente, e se veste de um jeito semelhante ao dos outros alunos. Não é retraído, visto que chega a interagir espontaneamente com os colegas. Acredito que isso tenha uma mensagem clara: Um bullied não precisa de um "motivo" para fazer o mal. Isso derruba os velhos argumentos de quem culpa a vítima, que geralmente vêm com pérolas do tipo "bullying forma caráter" e "se o gordo não quer ser discriminado, que emagreça." Jordi simplesmente chegou na escola, e Nacho (Joan Carles Suau) e sua turma pareciam estarem simplesmente esperando alguém novo para atormentar. Qualquer um seria tratado da mesma maneira cruel.

Há uma passagem em que um especialista dá uma palestra sobre bullying na escola, e embora essa parte seja válida, ficou um pouco deslocada no drama, parecendo um documentário. Talvez  funcionasse melhor se os alunos tivessem feito perguntas e houvesse uma interação entre a vítima e os agressores com aquele momento. Mas o que vamos é apenas o cara falando ininterruptamente, enquanto aparecem alguns flash-backs mostrando o calvário de Jordi. Na minha opinião, ficou forçado. Bom, de qualquer forma, após a palestra acabar Nacho procura Jordi e garante que as "brincadeiras" acabaram, e por um momento Jordi e o espectador acreditam que o vilãozinho tomou jeito. Ledo engano. De fato, as "brincadeiras" acabaram, pois agora a abordagem é outra: obrigar o garoto a fazer seus trabalhos escolares.

Jordi é um garoto de paz e nunca revida,ele tenta seguir em frente e ignorar aquele sofrimento o tempo todo, e chega inclusive a iniciar um namoro pueril com Annia (Yohana Cobo), aluna de uma outra escola que também é perseguida, por ser filha de estrangeiros. Nada adianta. E a hipocrisia da diretora - que em uma cena chega a dizer: "Não existe bullying nessa escola!" (Oi?!) -, aliada à uma tentativa violenta e desastrada de ajudar, culminam no final trágico.

Bullying - provocações sem limites é um retrato amargo e incômodo da realidade, e ao contrário do que algumas pessoas podem pensar, não é nada exagerado. Quem diz que aquilo não existe está fazendo exatamente o mesmo que aquela diretora detestável: Enfiando a cabeça na areia feito um avestruz, e contribuindo para a existência dos muitos Jordi's e Nacho's que vemos por aí. Esse filme é um verdadeiro soco no estômago, e imperdível.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Personagem: Edward

Olá, gente! :D
Depois de um hiato que me deixou à beira de um ataque de nervos, hoje o Blogspot finalmente parou de me trollar, e eu consegui atualizar bonitinho, com imagens! (clap, clap, clap!).

Ah, sim, as reformas da minha casa já acabaram, e o meu quarto está todo diferente e lindo! \o/ Com esse clima de animação, escolhi escrever sobre um dos personagens mais populares e queridos no mundo todo, e dono dos Cosplays mais legais! :D. Com vocês, Edward:


Edward Scissorhands (Mãos-de-Tesoura no Brasil) é um filme de romance e fantasia, dirigido em 1990 por Tim Burton. Sua história tem como protagonista o jovem Edward, a "criação" de um velho inventor que morre antes de colocar em sua obra a última parte: As mãos. Sozinho na mansão sombria em que viviam e tendo como mãos as tesouras que usa para esculpir o jardim, Edward vive isolado até ser encontrado por Peg, uma simpática senhora que revende cosméticos e, compadecida, decide levá-lo para morar com sua família. Começa aí a saga de Edward na cidade.


Esse longa é delicioso e atemporal - foi lançado um ano antes de eu nascer, e na primeira vez que lembro de tê-lo assistido eu devia ter uns quatro anos. Fiquei apaixonada, e vejo até as crianças de agora ficando encantadas com a história, quando têm oportunidade de conhecê-la. Mas já que o assunto aqui não é o filme, mas sim o personagem, vou falar um pouco sobre essa criatura tão estranha quanto adorável.

Li que Tom Cruise e Robert Downey Jr. foram cotados para o papel-título, e até mesmo Michael Jackson (!) mostrou grande interesse. Felizmente, o escolhido foi Johnny Depp, e nascia ali sua parceria com seu grande amigo Tim Burton, uma das melhores do Cinema. Edward foi o primeiro papel de destaque de Johnny Depp, que ali já mostrou sua preferência - e talento - por personagens estranhos e desajustados. E digo com toda certeza que Johnny mereceu todos os trabalhos brilhantes que conseguiu depois: O carisma dele como o Mãos-de-Tesoura é in-crí-vel. Mesmo com o jeito obviamente robotizado do personagem - afinal, ele era um ser criado em laboratório -, o ator conseguiu fazê-lo de um jeito que não o transformou em uma caricatura, e a inocência e doçura que ele passa no olhar e no sorriso tímido contrastam com toda a sua aparência estranha. Resumindo, é impossível não se apaixonar por ele.



É muito interessante a maneira como é conduzida a nova vida de Edward. Ele é praticamente "adotado" por Peg e seu marido, que lhe dão uma casa, orientação, e tentam educá-lo para que possa viver em sociedade, apesar de seu "defeito". 

O defeito de Edward, aliás, é outra coisa que se torna muito interessante. Os vizinhos de Peg, que sempre a trataram mal, mostram muita curiosidade por seu novo hóspede e passam a visitá-la com frequência, e essa foi uma clara crítica social de Burton. As mãos de tesoura do protagonista, assustadoras e repulsivas no início, logo se tornam uma atração, e acabam o aproximando daquelas pessoas. Edward tem um carinho genuíno por todas elas, e demonstra gostar de usar seus talentos para cuidar dos jardins e cortar os cabelos daquelas mulheres. Mas é justamente a inocência de Edward e a paixão que desenvolve por Kim (Winona Ryder, linda), a filha mais velha de Peg, que acabam o prejudicando. Sem ter uma noção completa do certo e do errado, ele quer apenas ser gentil e agradar as pessoas e, principalmente, a garota que ama, e acaba sendo usado para o mal.


A relação construída entre Edward e Kim também é muito bacana. No início, a repulsa da garota por ele é notável, e ela tenta ficar o mais longe dele possível. Mas morando na mesma casa, isso é muito difícil, então Kim acaba conhecendo-o melhor. Não fica claro no filme se ela chega a se apaixonar por ele, e o máximo que os dois trocam é um abraço, longo e carregado de emoção. Mas o sentimento dela é forte o suficiente para salvá-lo em uma situação irremediável. A química entre Depp e Ryder também é excelente, e os dois atores chegaram a namorar durante um tempo, após as filmagens.

Por fim, Edward é um personagem fascinante, cheio de nuances, e se algum ser humano na face da terra ainda não assistiu esse filme, corra para a locadora mais próxima imediatamente, pois é um super clássico, imperdível. Edward tem características que simplesmente não cabem em uma resenha, e só mesmo conhecendo-o de fato para entender tudo que eu quero dizer. Então assista esse início do "casamento" Depp-Burton, e delicie-se. :D